CE e pH são os dois parâmetros que mais produtores erram — e os que mais determinam produção e qualidade dos frutos. Este guia explica as faixas-alvo, como medir e como corrigir.
Resposta rápida
A CE correta para tomate em substrato de coco sobe ao longo do ciclo, de 1,5–2,0 mS/cm no estabelecimento até 3,5–4,0 mS/cm na maturação, com pH sempre entre 5,5 e 6,5. A regra decisiva é o teto de drenagem: a CE de saída não deve passar da CE de entrada + 1 dS/m — se passar, aumente a fração de drenagem para 30–40% e faça uma irrigação diária com água pura. Este guia é para quem já opera fertirrigação por gotejo; no Nordeste, onde a água de poço chega a 0,8–2,1 mS/cm, comece pela análise da água antes do substrato.
Porque um define a quantidade de sais e o outro define se a planta consegue absorvê-los: a CE (condutividade elétrica) mede a concentração total de sais na solução do substrato. O pH determina a disponibilidade de cada nutriente nessa solução. Os dois parâmetros se influenciam mutuamente:
A CE sobe de 1,5 a 4,0 mS/cm ao longo do ciclo; o pH fica entre 5,5 e 6,5:
| Fase | CE da solução (mS/cm) | pH alvo |
|---|---|---|
| Estabelecimento (semana 1–3) | 1,5 – 2,0 | 5,8 – 6,2 |
| Crescimento vegetativo | 2,0 – 2,5 | 5,8 – 6,5 |
| Floração e pegamento | 2,5 – 3,0 | 5,8 – 6,5 |
| Desenvolvimento dos frutos | 3,0 – 3,5 | 5,8 – 6,5 |
| Maturação (últimas 4 semanas) | 3,5 – 4,0 | 5,5 – 6,2 |
| Substrato vazio (pré-plantio) | < 1,0 | 5,5 – 6,5 |
Aumentar a CE progressivamente conforme o ciclo avança é intencional: o estresse hídrico moderado na maturação concentra os açúcares e ácidos que dão sabor ao tomate — estratégia usada sistematicamente em tomate cereja premium.
CE em três pontos (entrada, substrato 1:1,5 e drenagem) e pH com medidor calibrado semanalmente.
Use um condutivímetro portátil (R$ 80–150, disponível em lojas agrícolas). Medir em três pontos diferentes do sistema diariamente:
Medidores de pH portáteis (R$ 40–120) funcionam, mas precisam de calibração semanal com soluções-tampão pH 4,0 e 7,0. Fitas de pH têm precisão insuficiente para manejo de tomate — margem de erro de ±0,5 é muito grande quando a janela operacional é de apenas 1,0 unidade (5,5–6,5).
CE alta pede mais drenagem e água pura; CE baixa pede mais fertilizante, em incrementos de até 0,5 mS/cm por dia.
Causa mais comum no Nordeste: água de irrigação com CE acima de 1,0 mS/cm, que se acumula no substrato ao longo dos dias.
Mais comum em início de ciclo ou após chuvas pesadas que diluem o substrato.
Ácido fosfórico ou nítrico para baixar; hidróxido ou bicarbonato de potássio para subir.
No ideal, entrada diária, drenagem 3× por semana e substrato semanal:
| Parâmetro | Frequência mínima | Frequência ideal |
|---|---|---|
| CE na entrada | Semanal | Diária |
| CE de drenagem | Semanal | 3× por semana |
| pH na entrada | Semanal | Diária |
| CE do substrato (1:1,5) | Quinzenal | Semanal |
1,5–2,0 mS/cm no estabelecimento, 2,0–2,5 no vegetativo, 2,5–3,0 na floração, 3,0–3,5 no desenvolvimento dos frutos e 3,5–4,0 na maturação. O substrato vazio deve partir de CE abaixo de 1,0 mS/cm.
Entre 5,5 e 6,5 — 5,8 a 6,2 no estabelecimento e 5,5 a 6,2 na maturação. Abaixo de 5,5 o manganês e o alumínio ficam tóxicos; acima de 7,0 ferro, boro, zinco e manganês precipitam.
Pela regra do teto: a CE de drenagem não deve exceder a CE de entrada + 1 dS/m. Se exceder, aumente a fração de drenagem para 30–40% e irrigue uma vez ao dia com água pura; se não cair em 3–4 dias, avalie troca parcial do substrato.
Pelo método 1:1,5: 100 g de substrato em 150 mL de água destilada, agitar 30 minutos e medir o sobrenadante. Meça também na entrada (gotejador) e no primeiro dreno do dia.
Ideal: CE e pH de entrada diários, CE de drenagem 3 vezes por semana e CE do substrato (1:1,5) semanal. Mínimo: semanal para entrada e drenagem, quinzenal para o substrato.
Use a ferramenta: informe o sistema e a qualidade da água. Parâmetros-alvo saem em segundos.
Usar a ferramenta →Leia também neste site:
Leitura de base sobre os parâmetros tratados neste guia: